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Mulher Maravilha

Faltou a capa voando.

Meu coração mudou depois da maternidade. Ficou mais humano e mais valente. Do que já era. E olha que já era um monte.

É incrível como ver bebês em situação humilhante me machuca. Vai no fundo da minha alma e amassa. O coração quase me salta. Quase se perde.

Outro dia, estava na porta do Itaú, uma mãe de rua com um bebê aos berros. Num impulso parei e meus olhos se encheram d’água. Pensei em pegar o bebê das mãos dela. Freiei. Sabia que não podia. Travamosi um diálogo breve sem sucesso. Ela tentava dar água na garrafa pro bebê. Lágrimas saltavam. Depois de absorver seu ódio e engolir minha impotência, fui pra casa.

Procurei telefone do conselho tutelar. Pensei. Fiquei mal. Nada fiz, queria ter feito.

Semanas depois, andando de moto, desci o Corte do Cantagalo. Quando fazia a curva, vi uma menina sentada no meio fio com um bebê no colo, dando tapas nele. Ahhhhhhh! Tive que agir! Não ia ser engolida pela minha impotência novamente. Dei meia volta, peguei contra mão, subi na calçada. Larguei a moto e pisei firme na direção da menina. Já via a cena dramática que se aproximava. Polícia, tiro, bomba, helicóptero, Fernanda heroína.

Quando me aproximo… Quando me aproximo… O bebê era uma boneca.

Dei meia volta apagando da memória a cena de Hollywood que montei. Uma moça que estava no ponto de ônibus próximo me observava sem entender coisa alguma. Dei explicações, afinal, ela obserava minha movimentação descabida. Vai que chama o Pinel? A polícia? Guardei minha capa de mulher maravilha, subi na minha motinha 125cc e fui treinar feito uma mortal.

Não foi dessa vez que salvei o mundo. Mas bem que eu queria.

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