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Por que ser mãe?

Por que ser mãe?

Primeiro post da Maratona do Dia das Mães

Hoje, pela manhã, estava arrumando umas coisas enquanto Bento brincava na sala.

De repente, ele ouviu minha voz. Gritou de volta. Eu estava na porta do banheiro e ele na sala. Um corredor separava a gente. Ele me avistou de longe. Sorrimos e continuei distraída, fazendo o que estava fazendo. De repente, sons das palmas das suas mãos estalaram no chão, barulhos felizes saíam da sua boca. Ele vinha engatinhando na minha direção a todo vapor. Vinha rindo, gritando com pressa, na língua maluca que ele fala e, na maioria das vezes, entendo (e respondo). Ele dizia ” Achei minha mãe, achei minha mãe! Viva! Vem cá, mãe!” Larguei tudo, me agachei para que pudéssemos olhar melhor um nos olhos do outro. Ele vinha e eu sorria. Fiquei de braços abertos, sorriso escancarado, alma diluída. “Vem, meu amor, vem!” Disse a ele. Quando chegou, pulou em mim com aquele cheiro de cachorrinho novo e me abraçou, colocando sua cabeça no meu ombro. Em seguida, distanciou o rosto para poder me encarar no alto do meu colo. Com a boca entreaberta, seus olhos sorriam e diziam “ah…minha mãe…” Eu, eu, eu… Suspirei com ele. “Ah, o amor da minha vida… Obrigada, meu Deus, pelo amor da minha vida.”

Cenas como essa acontecem o dia inteiro, no calor da correria, e agora, aqui, escrevendo, me debulho em lágrimas pela beleza do que vem me acontecendo desde que soube que Bento entraria na minha vida. Veja, eu soube que ele entraria, no futuro, mas na verdade ele já tinha entrado porta adentro, sem que eu tivesse controle sobre o número de transformações que sofreria.

Cenas como essa acontecem o dia inteiro, no entanto, este episódio da manhã de hoje bateu em mim de forma diferente, intensa. Seria o dia das mães chegando? O primeiro dia das mães com meu filho no colo, na cama, no chão, no peito? Acho que sim. Mexeu além do que mexe (e olha que já mexe bastante), porque ali naquele momento eu entendi porque ser mãe.

Escrevi essa semana um texto bem humorado falando das dificuldades de ser mãe (www.mulherquecorrecomlobos.com.br/coisas-de-mae/ser-mae-e-se-fuder-no-paraiso). São inúmeras! Por que ser mãe? Por quê? Você sabe que não tem volta, muda completamente a sua vida. Por que ser mãe e ainda repetir a dose? Ser mãe de dois, três, quatro?

Ele engatinhava na minha direção. Todos esses pensamentos pipocavam. Eu estava ali descabelada, com a roupa suada do treino, fazendo as coisas com a pressa que tomou conta da minha vida nesses últimos 9 meses. Quando ele me olhou, cara a cara no meu colo… Caramba! Eu sei porque ser mãe.
Ser mãe é uma das funções, status, condição (nem sei o que que é), na qual mais se trabalha, se dedica, se envolve, sem ter algo pontual que justifique tamanho empenho. Você não vai ganhar dinheiro por ser mãe. Não vai ganhar mais elogios. Ser mãe não é tão valorizado no mercado. Não vai colocar diploma na parede “Fernanda Nunes Leal Ferreira concluiu o curso de mãe”. Tudo bem, a gente não liga. A gente quer sentir. Bento habita o reino dos meus sentimentos. Um lugar que algum dia vou parar uns minutos para tentar descrever.

Hoje, pela manhã, eu queria ter gravado. Em 3 minutos de filme, sem fala (entendível, pelo menos), Bento respondeu todas as minhas perguntas e como? Engatinhando na minha direção e me olhando. Simples como o amor deve ser.

Desejo a todas as mães um feliz dia, cheio de olhares, toques, cheiros, babas, sorrisos, gengivas, comida nos cabelos, cantigas de roda, abraços, beijos, amor! Desejo, desejo mesmo, com a intensidade que só uma mãe emocionada, que recebeu seu título recentemente e a qualquer reconhecimento do seu novo status chora, pode desejar.

Feliz Dia das Mães!

Um beijo no coração

Fernanda e Bento <3

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