Orgulho de gênero

Se não fosse por amor prá carai ninguém passaria por isso… Ou melhor, nenhuma mulher. Atualmente, pergunto àquelas que têm mais de um como repetem? E elas me respondem: a gente esquece como é difícil. Juro pra mim que não vou esquecer, não posso repetir isso, a não ser que vire milionária amanhã cercada de empregados. Ainda assim deve ser difícil. Repito: somente por esse tipo de amor, que me desculpem os homens, QUE SÓ AS MULHERES CONHECEM, vale a pena largar sua identidade para virar um peito, um colo e um coração por meses. Os homens nunca sentirão isso. Vão amar seus filhos, não tenho capacidade de dizer o quanto, mas esse amor visceral que transcende o cansaço, a estética do corpo e as prioridades da própria vida, isso, meus caros, só as mulheres têm o PODER de sentir. Você, homem macho, pode ajudar, carregar a bolsa da maternidade, segurar a mão da sua mulher (coisa que acho do caralho se for feita de coração), se emocionar ao ver seu filho nascer. Pode comprar papel higiênico, modse pós parto. Pode brincar com seu filho enquanto ela toma banho. Vai amar, quem sou eu pra dizer que não? Porém, ainda assim não sentirá o amor de uma mãe. Você continuará com o seu chope, não vai alcoolizar o bebê. Pode continuar o seu frontal, rivotril, qualquer porra! Não vai passar no leite. Você pode dar uma escapulida e transar com a vizinha, ou abandonar sua esposa porque a libido dela está voltada para aquele ser minúsculo e ela mal consegue te dar atenção. Você pode sair pra dar uma corrida, jogar uma pelada. Você pode ser um pai e um marido dedicado sem precisar abrir mão do resto da sua vida, mesmo que no momento esteja se dedicando à sua família. A mulher não. Ela é obrigada, e faz com mistura de dor e prazer, a largar sua vida para servir, de início totalmente e depois parcialmente, outra vida. Encontro amigas minhas, mães recentemente, é unânime. É desesperador em vários momentos e só se passa por isso por muito, mas muito, mas muito amor. Nossa vantagem em relação a esse sentimento começa na barriga. Meu obstetra já dizia nas minhas consultas enquanto tentávamos ouvir o coração do Bento e ele dava milhões de cambalhotas, chutes e mortais carpados: “Nós homens nunca experimentaremos essa sensação”. Ele se referia à sensação de um bebê se mexendo dentro da barriga. Sensação única! Ele tem razão, tiramos vantagem nisso. Tenho orgulho e felicidade de ser mulher para poder sentir livremente, gestar, parir, amar, escrever baboseiras no blog… Tenho orgulho de ter gestado, parido e de estar amando ser mãe do Bento, pois só por ele vale dar uma pausa na minha vida, esquecer de fazer a sombrancelha, comer purê de café da manhã, não remar, não sair às 7am e voltar às 10pm. Não poder ter planos além de dar de mamar daqui a 2 horas. Um grande obrigada aos homens, pois sem eles nós mulheres não poderíamos experimentar esse amor.

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Comentários

  1. Gostaria de ter escrito este post, com uma única ressalva, Fernanda: não são meses de vida suspensa, amiga, são anos! Mas passa… e você vai sentir saudades. E sua amiga tem razão, a gente esquece e começa tudo de novo. Eu recomeçaria mil vezes… Teria adorado ter mais de três filhos,mas a vida não deixou…e eu não forcei a barra…

    1. Você é incrível! Orgulho de ter te conhecido!

  2. Ju disse:

    Ahhh que lindo! me emocionei do lado de cá! sinto esse amor, Biel está dentro de mim e só sai daqui umas 15 semanas, mas entendo cada linha do que vc escreveu. Conversei com a mãe da minha afilhada esses dias (ela tem dois meses) e é exatamente assim que ela se sente! Parabéns pelo texto! beijos

    1. Ju, vc vai ver que ser mãe muitas vezes é apropriar-se de um poder muitas vezes não reconhecido. Mas tenha certeza que todas as mães o saberão! Bjs