Dê a mulher o que é dela

Vivo o sistema patriarcal quando quero mostrar o que sinto e tenho medo.
Pois nada mais depreciativo ao principal significado do feminismo que a falta de expressão dos sentimentos. Temos que ser todos fortes, todos brilhantes. Temos que nos recuperar rápido e quase que instantaneamente dos nossos fracassos. Não podemos viver um luto. É feio chorar. Quando você pensa em mostrar o que sente para alguém, vem um ser interno e/ou externo te dizer “Pensa bem… não vai se expôr demais? Seja jogo duro!”. Que inferno, senhor! Nascemos munidos dessa arma poderosa e incontrolável que é o coração e insistimos em pisoteá-lo! Em que ponto da história da humanidade ficou feio sentir, cuidar, se entregar, aguentar ser o que se é e ponto final? Imagino eu quantos telefones sem fio são feitos nas relações pessoais baseados no medo de simplesmente ser o que se é. Canso de escutar de amigas “Sou uma idiota, estou me sentindo péssima, fiquei com o cara que gosto e devia tê-lo evitado para ele me dar valor.” Por quê??? Por que insistimos em sermos mulheres querendo fazer o papel dos homens e resistimos às relações? Se ninguém persistir naquele que tocar o sino da sua alma como caminharemos? Esse é o papel feminino. Não se convença que é feio sentir, dizer que ama, dizer que está chateada ou que está com saudades. Os homens dizem que não, mas esperam que verbalizemos. Reclamam “Mulher fala demais!”, mas é exatamente isso que eles querem de nós. Apesar de depreciarem o feminino, não por opção própria mas porque vivem no mesmo sistema que nós, eles querem ser amados, adorados, idolatrados. Querem sentir segurança de que todo dia você terá uma palavra amorosa pra falar em seu ouvido. De repente, um bom dia com um cheiro no pescoço. O princípio sentimental é nosso. Não é defeito. Vejo homens e mulheres perdidos nessa grande campanha de sermos “fortes”. Fortes? Você já sentiu o cagasso que dá olhar nos olhos de alguém e dizer que lhe ama sem ter certeza que receberá um “eu também” de volta? Numa boa, é preciso muita força e coragem pra fazer isso. Segurar é mole! Você come umas 2 barras de chocolate, fica com caganeira e queimação no estômago por dias e tudo bem. Ou resolve como na moda atual, sai pra algum canto e beija uns 5. Ou procura aquele step e sapeca uns beijos, bem vazios, nele. Uma mulher uma vez me disse que quando ela se apaixonava por alguém tinha que sair e ficar com outros só pra reduzir um pouco da euforia. Que medo! Se não conseguimos nem ao menos sermos inteiros ao viver uma paixão, onde chegaremos?
Onde chegaremos eu não sei, mas onde EU quero chegar com isso tudo é: Sejamos mulheres inteiras. Não deixemos ninguém nos fazer crer que temos que nos tornar homens para sermos fortes. Nós já nascemos fortes. Vamos segurar firme o nosso princípio mais bonito que é o de sentir. E que para os homens sejamos uma oportunidade deles experimentarem a liberdade de ser alegre quando se é, de ser triste quando se é e de ser amor sempre.

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Comentários

  1. Anonymous disse:

    Ai Fê, eu quero mais é sentir… Sem racionalizar muito. Obrigada, beijos