Eu não tenho classe e pra melhorar as coisas, fui vestir uma roupa. Achei uma calça maneira, mas daí nenhuma blusa pra combinar. Os cabelos estão desgrenhados e também não achei nenhum prendedor disposto a doma-los. Soube que a escola que estudei, atualmente, custa 3200 reais e pergunto no que foi que eu errei. Amigas bem de vida, outras nem tão bem assim. Mas todas bem delicadas e educadas e eu por opção ou carreira decidi ser meio bagunçada.

Até que iniciei o caminho bem, de repente, resolvi ser atleta e abandonei todos os quatrocentos cursos e monografias e fulano et al para aprender as gírias mais recentes. Vejo moças delicadas e elegantes e penso que minha arte é ser uraniana e girar horizontalmente ao redor do sol. Por fora, bruta – repetitiva pra cacete nisso, mas aguentem – por dentro, mais delicada que todas elas juntas. Acho brega ter tanta classe assim, mas por vezes dou umas bolas dentro. Finjo e deixo os meus comentários sem classe pra mim mesma ou qualquer íntimo que estiver por perto. Aja normalmente, aja normalmente. Porra eu não sei! Sai forçado a beça, mas parece que gostam disso. Do forçado. Se acerto no gesto, falho na expressão da feice. Falo palavras erradas porque acho mais engraçado, mas nem todos sabem, nem todos sabem. Palavras em inglês com pronúncia equivocada também entram no balaio. Nem todos sabem. Nem todos. Daí eu vejo você. Menor chance. Menor chance. Você merece uma mulher mais domesticada, fina e com os tacos da casa presos no chão. No íntimo, no íntimo, você é um lobo que ruge e funciona muito bem com a pantera que sou. Mas tô aqui pensando em fotos. Veja. Fui buscar referências num livro do Buko (wski) e parei no banheiro arrumando o cabelo de novo. Foco. Nas fotos, será que não ficam melhores as tâmias? As que riem baixo e sabem escolher vinho? Vou entender – meio puta – mas já entendo de antemão. Mentira. Vou entender nada. Me aceite e me ame como sou porque a gente junto é maneiro pra caramba.

OBS: prometo me portar bem nos jantares caso você queira ficar comigo.

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