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Eu e eu mesma – sem Irene

Eu a-do-ro ficar sozinha.

Minha companhia não me cansa, a de outras pessoas sim. Ultimamente, mais ainda.

Minha convivência com Bento é tão intensa e tão sem lacunas, que gente me cansa mais do que antes.

Amo o meu silêncio.

Se eu me chamar, a qualquer momento, para um café, pode ter certeza que eu e eu mesma curtiremos o programa.

Gosto de lixar madeira quieta.

Se der na telha, lavar uma parede suja que vinha me incomodando há meses, muda.

Comprar roupa? Gosto da minha opinião e a ausência de um interlocutor facilita minhas jogadas mentais com o meu cartão de crédito.

Sabe aquelas coisas que todo mundo ama fazer acompanhado? Em geral, topo e prefiro fazer sozinha.

Me deixem no meu canto. Não tô afim de dividir espaço.

Deixem minha luta continuar sendo solo. É o meu estilo de jogo.

Ah, os meus bichos! No máximo, um miado, uma latida, uma corrida. No mais, silêncio.

Preciso desse estado meditativo.

Amo remar por isso.

Repito movimento, repito movimento. Penso no movimento. Silencio a mente. Calo a boca e remo.

Single no meu barco me encontro.

Transbordo de paz.

Muita gente se importando com o que é pouco.

E eu, nessa canseira pra tentar ser quem sou, fico sem saco. Sem ouvidos. Sem palavras.

Penso no grupo. Luto por ele. Gosto dele. Me incomoda menos. Talvez porque possa me camuflar.

Minha avó não entendia. Achava que era desamor essa coisa d’eu precisar de mim. Ou de bastar a mim.

De fazer meus passeios entre gente e voltar pro meu colo.

Não quero dividir, entenda.

Preciso dessa distância defensiva. Nada ofensiva.

Então, faça o favor, não passe da linha pontilhada.

De lá pra cá é o meu silêncio, a minha paz.

Meu território imaginário.

Sou feliz assim.

Obrigada.

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