Amamentar: Yes, we can!

Hoje pela manhã, eu caminhava exibindo Bento no colo pela CeA, quando uma senhora me parou e começou a conversar. A entrada é sempre o Bento. Gordo, grande, fofo e grudado em mim, muita gente para pra falar com a gente. “Nossa que gorducho! Quanto tempo tem? 4 meses?! Desse tamanho?! Isso tudo é só de leite de peito?!” Sequência de comentários super hiper mega ultra comum. Sempre respondo com uma ponta e o resto inteiro de orgulho: “Só leite de peito!” Ééééé! Meu corpo é incrível! Posso proporcionar ao meu filho seu único e rico alimento! Alimento este que o fornece tudo que precisa e ainda por cima fortalece seu sistema de defesa. Pra completar o ato de alimentá-lo é mais incrível ainda, pois o mantém junto ao meu corpo, fortalece o nosso vínculo e o faz se sentir (com toda razão) amado. Amamentar limita o ir e vir, sem o bebê, da mãe e por isso mesmo é um gesto de doação amorosa. Me dôo feliz.
A senhora me contou que acabara de ganhar um netinho, estava com quase 2 meses e que a filha estava com pouco leite. Pouco leite? Sugeri que procurasse instituições de apoio como o Instituto Fernandes Figueira ou a loja Cantinho da Mamãe para que fosse orientada corretamente, talvez fosse apenas uma questão de estímulo e orientação. Disse inclusive que uma amiga que teve filho na mesma época que eu, procurou o Fernandes Figueira porque nas primeiras semanas seu filho não estava ganhando peso e a pressão do entorno nessas condições é sempre gigante para um complemento. Eu mesma que pingava leite e tinha que ordenhar para tirar o excesso para não ter febre, fui pressionada. No início, Bento chegava a ficar mais de uma hora no meu peito, dava intervalos mínimos e se eu tirasse o peito não havia quem aguentasse o choro. Pior ainda, ele adormecia no peito, eu o colocava para arrotar, ele arrotava e queria voltar pro peito! Ufa! Era uma trabalheira e um cansaço tão grande que eu achei que não sobreviveria… Doação, doação, doação… Choro não é só fome e Peito não é só fome. O peito, muitas vezes, é o meio de acalmar o bebê. Aquela história feliz de mamada de 3 em 3 horas não rolou comigo, e nem com a maioria das minhas amigas que estão tendo uma maternagem consciente, optando por livre demanda: o bebê mama quando quer, só ele sabe o tamanho do seu estômago, sua necessidade de sucção e alento. Cheguei a ouvir de outras mães “Dá complemento senão ele vai te escravizar!” Ok, Bento é um ser diabólico que veio pra me dominar. devo combatê-lo! Coitados dos bebês… Têm que se adaptar a esse mundo e a esses adultos ignorantes e insensíveis. Agora compreendo porque ele demorou tanto pra sair da minha barriga. Mundo cruel!
Minha amiga foi bem orientada e amamentou exclusivamente seu filho até os 6 meses sem problemas!
Evoluindo a conversa, a senhora contou que o marido da filha acha que o neto fica muito tempo no peito e por isso tenta tirá-lo. Além disso, ela disse que o bebê não aguenta 3 horas sem mamar! Numa boa, o que falta nessa vida é informação… Primeira coisa: meninos são mais esfomeados, choram mais, dormem menos e são mais agitados, não conheço nenhum bebê menino que mame de 3 em 3 horas nos primeiros meses. Segunda coisa: é normal o homem ficar com ciúme e, por isso, é importante ter delicadeza nesse momento e saber que a amamentação é um momento da mãe com o seu bebê. Assumo que fico irritada com os homens e que, até certo ponto, ser mãe solteira tem suas vantagens. Pô! O cara é burro e mal informado, assim como a mãe! Terceira coisa: o bico dói nas primeiras duas semanas e pronto! Passou! Amamentar fica delicioso. Quarta coisa: quanto mais se mama, mais o leite é estimulado. Quinta coisa: eu detesto gente mal informada. Sexta coisa: odeio gente burra. Ódio mesmo.

Não deixei barato. Fiz a senhora anotar todos os endereços, telefones (inclusive o meu) caso a filha precisasse de apoio. Repeti que nem papagaio que tudo que ela está passando é normal e que deve se manter firme no propósito. A velhinha ficou super agradecida e deu uma massageada no meu ego e alma dizendo que sou uma ótima mãe. Sou mesmo. Tento o melhor que posso, busco saber o que estou fazendo, troco com outras mães, tenho curiosidade, procuro referências e adoro o que a OMS (Organização Mundial de Saúde) diz. A OMS sugere aleitamento materno até os 2 anos. Dois! Dois! Dois! Fiquei pra morrer com o “Educador” que foi ao programa da Ana Maria Braga e disse que parar de mamar vem antes de andar. Ou seja, ele mal informou milhares de mulheres já mal informadas que assistem aquela porcaria de programa que lá pelos 10-11 meses você deve parar de amamentar e foda-se a OMS. Fiquei muito louca com isso. Já disse, sou aquário com lua em peixes, não me satisfaço em me dar bem sozinha, quero movimentar a massa!
Casos como esse são recorrentes. Uma amiga outro dia comentou que sua irmã estava apavorada com a filha que não saía do seu peito. Leite fraco?! Nada disso! Cena normal.
Eu provavelmente não fui amamentada por falta de informação. Na geração da minha mãe, foi muito comum essa coisa de leite fraco, cesarianas eletivas sem trabalho de parto (a ocitocina, hormônio liberado no trabalho de parto, estimula a descida do leite). Assumo que tive muito medo de não amamentar. As estatísticas dizem que quando a mulher não foi amamentada, tem menos chance de “conseguir” amamentar. Quando meu médico, numa das últimas consultas, apertou meu seio e saiu colostro, fiquei radiante!!! E continuo. Tenho amor e orgulho do meu leite, e esse sentimento é tão bom que desejo que outras mulheres o sintam. Então, mulherada, vamos começar a procurar ajuda, conversem com outras mulheres, com médicos e pediatras humanizados, catem pesquisas e tirem esse peso de cima das coisas mais simples que nosso corpo sabe fazer. Tome seu poder de volta. A amamentação é nossa!

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Comentários

  1. Paola Millen disse:

    Que maravilha, Fernanda! Seu post é uma utilidade pública. Eu mesma estou ficando neurótica pois Maria chora muito quando dou o peito e fica super irritada. Mas eu insisto. Agora, eu vou procurar informações no Fernandes Figueira. Muito obrigada e parabéns por sua dedicação e por não desistir e também por querer “arrastar” a massa junto. Beijinhos e muito, muito mais leite pro Bentão

    1. Procure eles, Paola! Maricotinha vai agradecer!

  2. Paulo disse:

    Querida tenho duas filhas, uma de 5 anos e a outra de 9 meses, e as duas amamentei exclusivamente de leite materno até aos 6 meses e posso te garantir que foi a melhor escolha que fiz. Minhas filhas são acima da média em peso, altura, desenvolvimento e não ficam doentes fácil. Nos primeiros meses é assim mesmo, a mama é a toda hora e muito demorada, afinal o peito não é só para o alimento, é também um acalento.
    Parabéns pela sua decisão de dar leite materno em livre demanda e a qualquer hora e essa “escravidão”, como dizem, é só por seis meses e o que são seis meses em troca de filho saldável, calmo e confiante.

    Lytael Cabral.

    1. Lytael,
      Com certeza! Estou muito contente com a minha escolha e meu desejo é que mais mulheres tenham a chance de se dedicar aos seus filhos. Bento tem uma saúde ótima e eu não troco por nada. Além disso, a troca de amor na amamentação é muito linda e eu adoro! Bjs parabéns para nós!