De mãe pra filha: contra maré

– Sabe qual é o nome desse doce?

– Não…
– Casadinho, o nome é casadinho.
– Hum… Sei que não vou casar.

– Vai sim.

– Vou não…
– Que isso, Fernanda, vai sim. Reza, se acalma e para de postar coisa maluca no facebook que vai vir. Você é nova.
Fernanda dá uma gargalhada.
– Que isso, mãe? Só tenho salvação se casar?

– Não é isso…

– O que que tem as coisas que eu escrevo?
– Assusta os homens né, Fernanda?
– Mãezinha, você é machista. Machistona.
– Sou não, sou realista.
– Olha só, mãe, sou feminista, tem que gostar de mim assim. Ponto final.
– Você assusta os homens, tem que se acalmar.
– Tô calma, super calma, pareço nervosa?
– Para de show, Fernanda, você entendeu!
– Tá bom, mãe.
– Fernanda, com essas besteiras que você escreve, daqui a pouco estão te perseguindo por aí.
Fernanda gargalha e dá pulinhos.

– Mãezinha, você é mais machista do que eu imaginava. Só falta dizer que vou virar sapatão porque sou feminista.

– Tá bom, Fernanda…

– Já não basta essa mulherada machista, os homens machistas. Tenho uma mãe machista.
– Não sou machista!
– É, é e é.
– Fernanda, você não vai casar…

Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar…

Foto: Crix Lustosa

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