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50 Tons Vibrantes

Sabe-se que mulher é um bicho comparativo.
Se compara com as outras o tempo todo. Inclusive, a moda foi criada a partir disso. Dessa obsessão feminina maluca por estar melhor que a outra. Mulher, ao contrário do que a maioria pensa, não se veste para um possível parceiro, nem pra ela mesma – sejamos honestos. Mulher se veste para falar mal da breguice da colega. Pode me incluir, não sou superior, nem diferente. Um dos meus esportes prediletos – mundanos, feios – é observar o mau gosto alheio. Me observam também, eu sei. Dou motivos. Faz parte do jogo.

Sabe quando você vai me ver de tubinho preto, meia calça, salto alto e óculos escuros às 8:30 da manhã? Quando eu sair à noite e resolver bater na casa de algum ex-namorado. Aí, sim, voltarei pra casa, no dia seguinte, às 8:30 da manhã, de óculos escuros para tapar o olho borrocado de lápis e toda indumentária do dia anterior. Não me comparo a essas queridas elegantes nesse horário nobre porque seria injusto. Chique mesmo é se sentir à vontade com o que veste. Penso na meia calça me pinicando e descendo. Penso no meu andar desengonçado de salto. Não, não. Tô fora do ringue.

Todo o seu conceito de beleza e chiqueza muda quando você tem um filho. O bege toma conta da sua vida. Bento está com 11 meses. Deixa eu sair desse maremoto e pisar meus pés firmes no chão que criarei uma moda mamãe e bebê decente. Por que raios tem que ser bege a calcinha levanta pança, o sutiã de amamentação, a cinta pós parto, a camisola da maternidade? Quando não, varia pr’aquele rosa calcinha xexelento. Quando não, é rosa calcinha xexelento de bolinhas brancas. Se achar um preto liso, sem uma rendinha pra contar ao mundo que você ainda faz sexo, agradeça!

Ei, o que está acontecendo aqui? Virou mãe e acabou? Mães não fazem sexo, não se masturbam, não manjam o pau do cara gostoso na praia, não curtem uma sacanagem?

Quero entender por que maternidade envolve tons pastéis. Quero entender por que maternidade nos dá a idéia de que a mulher tem que se “indireitar”.

A frigidez vem acoplada ao conceito de ser mãe?

Não é à toa que muitos homens ficam com as suas esposas boazinhas em casa e saem às ruas atrás de sexo. Culpa dos tons pastéis. Tudo culpa deles.

Quando fui fazer o quarto do Bento, fiz questão que não fosse azul bebê com branco. Pintei de amarelo forte o quarto – não que eu pretenda fazer sexo lá, não que não pretenda. Pássaros coloridos na parede e alguns detalhes em azul, sabe por que? Porque para o universo infantil só existe azulzinho, amarelinho, rosinha. Tons bebês

Às vezes, fico pensando que tipo de marca patrocinaria um blog com cores vibrantes. Um blog que fala da maternidade como ela é. Um blog que pretende dizer às mães que ela continua mulher. Agora mais do que nunca. Querida a perereca ainda está aí! Use-a! Se quiser, claro.

Algum tom, pastel?

Sutiã de amamentação roxo, meia taça com rendas, por que não?

Calcinha com apoio para barriga desenhada e colorida, por que não?

Cinta pós parto (para aquelas que usam, meu médico não recomendou) amarela, por que não?

Camisola de maternidade branca com flores verdes, lacinhos e rendinhas, por que não?

Blog de uma mulher que corre, rema, trepa e amamenta, por que não?

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