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Mundo cruel

Cólicas, vacinas, dentes nascendo. Não é de Deus! Sofre mãe, sofre filho. Nêgo inventa iPad, tela de retina e os caramba e não inventa solução para as cólicas, vacina indolor e solução anestésica pra dente nascendo. Mundo cruel!

Senhor, tenha pena das pobres mães! Pára de testar a gente. Parece que causa esse sofrimento todo pra saber se a gente quer mesmo ser mãe. Desde o início da gravidez, uma bateria de testes. “Você quer mesmo ser mãe? Então, aguenta o enjôo, a fome louca, a ansiedade das ultras, a dor nas costas, o inchaço das pernas, a dor do trabalho de parto, a dor do próprio parto, a dor do pós parto, a dor no bico dos seios, a dor de ver seu pequeno ser espetado, o cansaço de cuidar da reação da vacina, o perrengue das cólicas, a agonia do nascimento dos dentes, as noites insones, o não saber por que ele está chorando.” Mãe sofre, bebês sofrem. Tenha piedade de nós. A gente só quer ser mãe! Parece que o senhor tenta nos levar a um extremo de irritação com loucura com amor pra ver se a gente vai colocar a criança na cestinha para entregar no vizinho. Eu confesso que, volta e meia, arrumo a cestinha, mas sou interrompida no meio do processo. Interrompida por um olhar com um sorriso com poderes ultrassônicos paralisantes que não tenho como evitar. Sou invadida pelo amor, como um fla-flu no Maracanã – saudades do Maraca. Aí, no meio daquele caos, daquele empurra-empurra na entrada do estádio, vem uma voz baixinha no pé do ouvido: “Ele não é lindo? Paciência, Fernanda, paciência…”

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