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Na Alegria e na Tristeza

Coitado. Não era birra. Era a sua dificuldade em lidar com o sono. Eu também fico brava quando estou com sono. Na fila do banco, dava aquele ataque com as sobrancelhas vermelhas.
Deitava no carrinho, mas o seu corpo volumoso mal se acomoda ali. Sobram as pernas desajeitadas pra fora. Como dormir? O banco inteiro nos olhava, mas eu respirava tranquila. Podia tê-lo deixado em casa, podia. Porém, no vai e vem dessa sexta-feira, aquele seria um tempo para estarmos juntos. Mesmo que na chatice. Talvez estivesse preparada para a sua, a nossa insatisfação de ficar na fila do banco. Eu queria ficar junto. Na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, até que uma nora ciumenta nos separe (rs). Sem clichês, só piada mesmo.

Me atenderam às pressas – a criança gritava em alto e bom som. Sentei-me na cadeira da gerente e o coloquei no meu colo – o qual antes resistia. Dormiu. Dormiu até em casa. Eu, exausta do treino, sem banho, sem comida, com mais sono que tudo, deitei junto com ele. Sentia aquele cheiro de azedo da minha roupa suada, a pele colando no edredom, no entanto, apaguei.

Certa hora, num balé sincronizado, nos mexemos, nos espichamos com o braço esquerdo para o alto de barriga pra cima. Nos olhamos. Viramos de lado, cara a cara. Bento deu um sorriso sonolento gostoso. Esticou o seu braço e me catou num abraço, enlaçando o meu pescoço. Reviramos os olhos e voltamos a dormir.

Era sono.

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