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Amor e Ódio (Animal)

Bichos. Tenho muitos bichos. Tenho muito afeto pra trocar. E um trabalho desgraçado para cuidar de todos – incluindo o pequeno bicho humano com o doce codinome Cremoso, talvez o mais lambão.

São cinco. C-I-N-C-O. Pensa na quantidade de bosta e mijo que limpo por dia. Pensa na quantidade de coisas detonam ou detonaram por curiosidade, vingança, brincadeira, tédio ou sei lá que raios.

Já está com pena?

A última cagada genial foi a fonte da bateria da minha bicicleta elétrica. Comeram, estraçalharam, trucidaram. Tive vontade de matar as duas cachorras, mãe e filha, com requintes de crueldade. Agiram em quadrilha porque ficaram presas em casa num dia de chuva.

Pessoal vingativo dos infernos…

Na verdade, tive vontade de matá-las duas vezes. A primeira, quando vi o estrago, mas eram 5 da manhã, ia acordar a vizinhança. A segunda, quando vi o preço da nova bateria: 289 reais. Malditas. Por que não dou elas pra alguém e economizo grana e paciência, simples assim?

Fernanda, sua trouxa.

Fico inspirada naquelas pedalas com a pesada bicicleta num dia cansado com o meu pedregulho humano no carona numa ladeira. Ó-D-I-O.

Corro atrás do meu rabo.

Enquanto luto para manter a casa organizada e limpa, meu exército animal – e o humano imbatível – trabalha com empenho para cagar a porra toda.

“Tenho cara de escravinha?! Tenho cara de escravinha?!” – berro como se fosse a coisa mais inteligente a ser feita. Implorar por misericórdia de 5 bichos com maturação cerebral limitada. (E você, Fernanda, formada em neurociências, se arrisca num diálogo primitivo e chantagista desses. Tsc, tsc, tsc…)

Mas então, sua masoquista, por que 5?

A primeira cã comprei. A segunda ganhei. O terceiro foi o gato que adotei pra caçar baratas, depois peguei amor. O quarto foi o humano que se instalou no meu útero por vontade própria. A única e inocente coisa que fiz foi sexo, mas a gente sabe, ou pelo menos eu sabia, que isso não é o suficiente para se engravidar. A gente vai sentir aquela parada no coração dizendo que é a hora de ser mãe, sabe? Ahã. Sei. Sabemos.

E o quinto, a terceira cã. A qual, aparentemente, racionalmente, coerentemente, com algum juízo na cabeça, daria para ter evitado.

Todo mundo me pergunta como tive a imbecil idéia de ter a terceira cachorra quando ainda estava grávida. “Você grávida, já cheia de bichos, quer ficar com outro???!!!

A resposta:

1- Hormônios de coração de manteiga circulando (a gravidez provoca esse fenômeno) tendo sua secreção intensificada cada vez que eu olhava para cada filhote que perambulava pela minha casa com aquele cheiro extasiante de cachorrinho novo.

2- Hormônios e que foram liberados por osmose durante a emoção do parto da minha cã, o qual participei e atuei como doula lhe oferecendo banana – sua fruta favorita- água, carinho e fotos sem flash – era humanizado.

2- Por mais que me alertassem do trabalho que é cuidar de uma criança, eu nunca poderia imaginar, crer, pensar que seria tudo o que eu imaginava elevado à décima potência somado a mais mil coisas que eu nem imaginava. Saiba. Ninguém imagina a trabalheira real, o looping, o 360o, a metamorfose, a loucura que é cuidar de uma criança. Coisas acontecem.

Explicado?

Não me interessa que tenham feito a mais longa montanha russa do mundo. Ou que tenham construído o maior e mais atemorizante looping nela.

Nada disso, nada, se compara às mudanças que um nascimento e crescimento fazem em nossas vidas.

Nada.

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