Dia 9: dia de Jorge

Diário de viagem: 23/04/22

Essa foi a primeira noite que dormi bem. Sem meu carregador de celular, tive que dormir com o barulho do vento do rio, tal qual faziam os incas e os astecas. Fiquei incomunicável o que, às vezes, é bom pra caramba.

A lua certamente ficaria vermelha e ficou. Comemorei porque estava aberta a temporada de dormir bem e parar de encher os olhos d’água por qualquer motivo – até parece.

Sonhei com a família Leal Ferreira. No sonho, Marcos aparecia com uma camisa azul royal e me dava um abraço de urso. O dia amanheceria sob as energias de Jorge, esse santo guerreiro, armado e amado. Fantasio que a blusa azul sincretizava com a energia de Ogum, meu pai. Marcos e eu temos uma ligação de espírito e de protetor também. Sua força é insuperável, sua sabedoria uma luz no meu veleiro. E com essa falange me fortaleço na intenção de vencer. Invencíveis são aqueles que não desistem – me consolo para ter uma ponta de paciência nesse processo.

Fiz um tiro de 1000m e não fiquei propriamente convencida. Parece que nunca estou, não é mesmo?

Na volta do treino consegui recuperar meu carregador. Almocei com Patrícia. Passeei com Pancho e Vicky.

À noite, já deitada, meu pai ligou e perturbou meu sono. Que momento. Deixo o choro sair enquanto procuro saber se está tudo bem com Bento. Está e respiro aliviada. Que momento. Sinto pena de mim mesma, mas enxugo a cara. Afinal, amanhã tenho 2000m máximo.

Mentalizo Bento sorrindo. Cruzo o tempo e o espaço para envolvê-lo com todo o meu amor.

Durmo.

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